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A triste noite da corrupção

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CORDEL VIRTUALMerlanio Maia, poeta, cordeleiro, artista popular com 15 livros editados e 08 CDs gravados. Atualmente, está com o show Cordel Vivo nos teatros e casas de espetáculos do Brasil e da Europa. O poeta ainda mantém um canal de poesia popular no Youtube: "Canal de Merlanio Maia."

02/07/2019 14h12Atualizado há 5 meses
Por: Agassiz Almeida Filho

 

POR MERLÂNIO MAIA

 

Eis a nação que sonha embevecida

Ser um exemplo aos povos do futuro.

Mas hoje acorda num imenso monturo

Que foi forjado ao longo de sua vida.

Desde o império se inclina em descida

Com sanguessugas que sugando vão,

Multiplicando sujeira em seu chão,

Frente ao pomposo poder do império.

Incomodando heróis no cemitério

Na triste noite da corrupção.

 

Seus mortos movem-se, desesperados.

Saem às ruas, levantam bandeiras,

Invadem praças, alamedas, feiras...

Profundamente decepcionados.

De Tiradentes escutam-se os brados,

De Castro Alves a indignação.

Voltam os poetas da libertação,

Voltam os heróis, do além, republicanos,

Dançam nas noites contra os tais tiranos

Na triste noite da corrupção.

 

Se o tempo urge, a tal nação se arrasta...

Só vendo seu pobre povo humilhado,

Presenciando o roubo deste Estado

Que, a cada dia, da riqueza afasta.

- Aos miseráveis, pão com circo basta!

E a liberdade escorre pela mão,

E num crescendo se esparrama ao chão

No gesto tosco desse vai e vem.

Só sonhadores gritam do além

Na triste noite da corrupção.

 

Os pigmeus da moral querem trono

Mesmo que levem o país ao abismo.

Ninguém vê honra, lisura, altruísmo!...

Brasil delira feito um cão sem dono

Em berço esplêndido o gigante é sono,

Enferrujado na acomodação.

A idiotice contamina o chão

O povo dorme e o vazio é extenso,

Os mortos gritam vendo o mal imenso

Na triste noite da corrupção.

 

A hipocrisia é corrente moeda

E a mentira agora é um ideal.

A mídia é quem cria a versão final

E o fato perde a força e leva queda.

Quem mente mais do poder não se arreda.

A lama envolve e a TV faz “serão”,

Faz a cabeça – dona da razão!

E o povo teme e, tremendo, obedece.

Há uma teia que a aranha tece

Na triste noite da corrupção.

 

Brasil acorda, apresenta a imponência!

Acorda e grita: “Independência ou morte!”

Colosso impávido, de infinito porte,

Mostra a lisura da tua inocência.

Chama os teus filhos, plenos de decência,

Expulsa o mentiroso e o ladrão.

Levanta o braço de enorme nação

Que vibra dentro do teu forte povo.

Faz teus heróis renascerem de novo

Na triste noite da corrupção!

 

Foto: Reprodução/GGN

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