Esquerda virtual
COLUNA

Nordeste é camim de um Brasi filiz

A FORÇA DE UM POVO

CORDEL VIRTUAL

CORDEL VIRTUALMerlanio Maia, poeta, cordeleiro, artista popular com 15 livros editados e 08 CDs gravados. Atualmente, está com o show Cordel Vivo nos teatros e casas de espetáculos do Brasil e da Europa. O poeta ainda mantém um canal de poesia popular no Youtube: "Canal de Merlanio Maia."

25/07/2019 12h08Atualizado há 5 meses
Por: Agassiz Almeida Filho

 

POR MERLÂNIO MAIA

O Dotô num pense que os nordestino
Só vive pidino pra mode vivê
Tombém nunca chame nóis de priguiçoso
Qui é dizonroso de fome morrê

Pois digo ao dotô qui ficô no passado
Meu povo isplorado na iscravização
E qui trabaiava ali de Só a Só
Verteno o suó qui só dava pra um pão

Sei que foi assim nosso povo insplorado
Meu povo marcado pela iscravidão
Tanto trabaiava e não ganhava o certo
Pra nóis era aperto vivê no Sertão

Era aquele povo nordestino e forte
Que tinha por sorte um patrão ladino
Qui isplorava os póbe na bêra da morte
Vagano sem norte penano o distino

Mas eis que um dia veio um prisidente
Qui era carente daqui do nordeste
E de tanto ver a escravidão da gente
Se fez um potente São Jorge da peste!

Começou pagar essa conta tão triste
Que muntos insiste em nada dever
Mas derna do tempo da iscravidão
Da praia ao sertão crescimento num vê

Inquanto o sudeste e o sul do país
Recebe feliz tudo qui é investimento
O nosso Nordeste penava infeliz
Sem mais diretriz ante a dor e o tormento

Pruquê as iscola num vinha pra cá?
Pruquê as indústra num chegava aqui?
Pruquê qui os banco num vinha apoiá?
É tanto Pruquê sem resposta daí

Mas eu qui arrespondo a cada um pruquê
Era só pra tê  um mardito currá
Voto de cabresto, mendigo a valê,
De fome a morre cuma boi sem urrá

Entonce era tê barata a mão de obra
Ninguém mata a cobra do brabo feitô
E o pobre corria da sêca qui sobra
E nessa manobra num tinha valô

Os própri político daqui do nordeste
Os triste da peste mantinha os currá
E nas eleição vinha os seu coroné
Cobrá nossa fé pra manda nóis votá

Agora acabô tanta insploração
No nosso Sertão já começa a tê água
Já tem munta iscola pra nossos minino
Qui vive surrino sem óidio e sem mágua

Nóis vota somente em quem pensa im nóis
Im quem dá a vóiz e o disinvovimento
Im quem faiz crescê o Nordeste feroz
Sem a fome atroz passa a tê crescimento

Aumenta a comida, cresce a produção
E todo o sertão tem progresso de fato
E vive filiz com essa libertação
Quem nos deu a mão é nosso canidato

E o povo daqui vai votá, mais sem medo
Sem ninhum segredo dizeno o pruquê
Bem na nossa língua no nordestinês
Mostrano a vocês qui nóis sabe vivê

Nóis veve de festa de paz e alegria
E nossa auforria é bunita demais
O povo é bunito forte e independente
O canto da gente é a gente qui faiz

Nossa natureza é toda belezura
A nossa cultura não tem outra iguá
A nossa poesia é linda e poderosa
No verso ô na prosa o Nordeste é reá

Intão só bastava um pôquim de ajuda
Qui o nordeste muda e se faz produtô
E daqui a pôco o planeta vai vê
Vai nos conhecê e vai nos dá valô

Foi Lula e foi Dilma que nos deu socorro
E o Rí São Francisco praqui desaguou
E as iscola técnica pra nossos minino
E um novo distino pru cá cumeçô

E vem as indústra e vem os minéro
E vem os turirmo que traz criscimento
E o nordeste tem as mais linda lindura
E toda a cutura do incantamento
 
Se a gente lutô contra a dô e a morte
Nosso povo forte vai dá o qui falá
Com educação, com cultura e trabaio
O Brasil do raio vai tê que guentá

As força qui alevantô as capitá
Sum Pálo e a tá de Brasíla quem fêiz?
Quem alevantô sem tê medo de nada
Quem feiz as istrada e os nó quem disfeiz?

Aqui será logo, ligêro e dipressa
A nova prumessa pra nosso país
Que o nordeste forte com força e carim
Fará o camim de um Brasí mais filiz!!!

E assim a isperança é que prenda os bandido
Qui tem impidido da gente cresce
Qui prenda as milíça, qui ache o Queiroz
Qui traga pra nós a justiça e o vive

E vorte de novo quem pensa no povo
Cum projeto novo pra tudo ingualá
Somente assim todos esse Brasís
Vão sê mais filiz um Brasí nacioná!

Foto: Ricardo Stuckert

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