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A situação política da Venezuela

RETOMADA DO DIÁLOGO?

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COLUNISTA CONVIDADOEspaço para intelectuais que contribuem para o fortalecimento do humanismo no Brasil e no mundo.

23/09/2019 00h40Atualizado há 3 meses
Por: Agassiz Almeida Filho

POR OSCAR SCHÉMEL CHRUSZCZ

Sociólogo e empresário venezuelano. É diretor do instituto Hinterlaces. Foi eleito para a Assembleia Nacional Constituinte de 2017.

NOS ÚLTIMOS ANOS, a sociedade venezuelana se despolarizou. A maioria se distanciou do conflito político atual e percebe que suas verdadeiras expectativas e demandas não são representadas por ele. A maioria se sente alheia, distante, excluída deste conflito.

Os venezuelanos exigem de seus líderes, seja no governo ou na oposição, soluções e respostas para enfrentar as sérias dificuldades pelas quais estamos passando.

Por isso, a maioria do povo venezuelano apóia o diálogo político e rejeita a violência. Entende que somente através do diálogo produtivo e da construção do consenso é possível enfrentar e resolver a crise econômica, que é a principal preocupação da população.

Até agora, a violência política causou mortes, destruição, caos e sofrimento. Durante 20 anos, a estratégia insurrecional da oposição falhou repetidamente, a um custo terrível para o país. Um dos antecedentes mais emblemáticos foi a ação golpista que levou à derrubada do presidente Hugo Chávez por algumas horas em 11 de abril de 2002. Depois, houve 19 mortes e mais de 10 feridos, a maioria com disparos de atiradores de elite.

Depois veio a sabotagem do petróleo, que deixou perdas materiais na ordem de mais de 20 bilhões de dólares, fazendo com que a atividade econômica caisse 28%. Os anos seguintes foram palco contínuo de protestos insurrecionais, com sua sequência de vítimas e vandalismo.

Em 2014, Leopoldo López e seu partido Vontade Popular lideraram uma nova tentativa insurrecional durante mais de dois meses de violência nas ruas. O ataque subversivo, cujos líderes chamavam La Salida, deixou um saldo de 43 mortos e causou perdas bilionárias ao país, estimadas em pelo menos 10 bilhões de dólares.

Em 2017, a escalada é reeditada. Vontade Popular e Primeira Justiça, à frente da direita mais reacionária, são jogadas de volta às ruas com o objetivo de derrubar o governo do Presidente Nicolás Maduro. Mais de 127 mortos, incluindo a queima de seres humanos e grandes perdas milionárias em infraestrutura. Naquela época, 81% dos venezuelanos rejeitaram a violência política como forma de protesto e a eleição de uma Assembléia Constituinte restaurou a paz e a tranquilidade do país.

Atualmente, o total bloqueio econômico e financeiro é o compromisso insurrecional da oposição mais radical do país, uma ação agressiva empreendida pelo governo dos Estados Unidos que prejudica os direitos humanos de todos os venezuelanos.

As perdas econômicas do país aumentam dia a dia e, até o momento, são estimadas em mais de 300 bilhões de dólares desde 2015. Alguns dias atrás, o Governo Bolivariano e a Oposição Democrática assinaram um acordo para a confirmação de uma Mesa de Diálogo para a Paz. O acordo em questão garante o diálogo venezuelano, inclui a rejeição de medidas coercitivas unilaterais contra a economia venezuelana, rejeita a intervenção estrangeira e reafirma os direitos legítimos da Venezuela sobre o rio Essequibo.

O sucesso deste novo diálogo dependerá de incluir e cumprir. Incluir outros setores, como empreendedores, e cumprir acordos. Incluir o comprometimento com a comunidade internacional e cumprir um plano de crescimento econômico e bem-estar. Incluir uma agenda de soluções e buscar seus primeiros resultados.

Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

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