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Faroeste caboclo

LAVAJATISMO ARMADO E PERIGOSO

ÁGORA

ÁGORAA coluna reflete a força da união e do pensamento libertário contra os grilhões da opressão, da ignorância e do obscurantismo de todas as épocas. Emerson Barros de Aguiar é pastor batista, escritor, articulista e editor do Portal Esquerda Virtual. Possui formação em teologia, filosofia, política, educação e direito em universidades do Brasil e da Espanha.

29/09/2019 08h18Atualizado há 3 meses
Por: Agassiz Almeida Filho

 

POR EMERSON BARROS DE AGUIAR

Rodrigo Janot confessou, numa entrevista, os seus ímpetos homicidas. A ideia era polemizar para promover o seu livro. Porém, o tiro do quase tiro saiu pela culatra. O ex-chefe da PGR deu uma de Corisco e foi ao STF tirar satisfações, portando uma arma de fogo e pronto para descarregá-la num ministro do Supremo Tribunal Federal em pleno exercício da sua função, numa versão canalha da canção “Faroeste Caboclo”, do Legião Urbana.

A atitude pode ser chocante, diante da postura que se espera de alguém que ocupou um dos cargos mais importantes da República, mas é, também, bastante previsível e coerente com o espírito criminoso da Operação Lava Jato: para que tudo aconteça como se deseja, lança-se mão de expedientes como a difamação, a conspiração e a sabotagem, e, se nada disso funcionar, abate-se o alvo à bala mesmo.

Porém, não basta ser o patife aproveitador, carreirista, arrivista, bem-sucedido política e financeiramente, é necessário manter a reputação de uma vestal. Se qualquer um ousar macular a alvura do sepulcro caiado, deve ser oferecido em holocausto no altar da hipocrisia.

O próprio ato de se planejar assassinar alguém desarmado com uma pistola é o expediente típico do canalha covarde que deseja se passar por honrado e corajoso, como se tivesse ainda algum brio ferido a justiçar, mesmo depois de ter descido às mais baixas categorias da imoralidade, o que incluiu a manipulação demagógica do aparelho de Estado para fins de proveito político pessoal.

O raciocínio de um sociopata amoral e fascista é o de que a ética consiste apenas num conjunto de palavras vazias que servem como escada para a sua escalada política ou para eventuais ganhos financeiros com palestras autolaudatórias ou com participações em eventos e congressos.

A presidenta Dilma Rousseff indicou Janot para o cargo de chefe do Ministério Público Federal, no dia 17 de agosto de 2014, respeitando a sua colocação, em primeiro lugar, na lista tríplice elaborada pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) a partir do voto dos seus pares.

Como se sabe, Janot não devia nenhuma “fidelidade” à presidenta que o nomeou, mas tinha, isso sim, a obrigação e o dever moral de se manter leal à liturgia do importante cargo no qual foi empossado, que exige isenção, equilíbrio, transparência e honestidade na função de representar e defender os interesses da sociedade, de investigar o ilícito onde ele estiver, inclusive entre as autoridades com foro privilegiado, e de propor, se assim se fizer necessário, ações junto aos tribunais superiores.

Contudo, Janot jamais teve tal postura. Deslumbrado e embriagado com seu próprio reflexo midiático, rapidamente cedeu ao oportunismo indômito e se vinculou ao espetáculo da Lava Jato, endossando o pré-julgamento da grande imprensa golpista e engrossando o caldo da crise política.

Ao lado da República de Curitiba, foi um dos principais e mais destacados operadores do lawfare que alijou a esquerda da presidência da república, legitimamente conquistada nas urnas, e aprisionou o seu principal candidato na disputa eleitoral de 2018.

Mesmo com tal obra, ainda desejou entrar para a história como um homem respeitável, probo e justo, mas acabou por nela assumir um outro lugar, através de sua própria confissão pública: o do desequilibrado com cogitações homicidas e potencial facínora, confirmando tudo o que dele afirmou o seu principal desafeto e quase vítima.

Ilustração: Fernando Botero

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