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A violência contra a mulher cristã

É HORA DE MUDAR!

FÉ E POLÍTICA

FÉ E POLÍTICATiago Santos estudou no Seminário Teológico do Rio Grande do Sul. Fez bacharelado em Teologia na Escola Superior de Teologia e especialização em gestão e liderança na Faculdade São Judas Tadeu. É mestrando em Teologia pela PUCRS, assessor auxiliar da Aliança Bíblia Universitária (ABUB), membro da comunidade cristã Abrigo e diretor do Coletivo Abrigo. Fundador dos movimentos Cristãos Contra o Fascismo e Liberta.

27/11/2019 21h07Atualizado há 3 semanas
Por: Agassiz Almeida Filho

POR TIAGO SANTOS

No dia 25 de novembro, celebra-se o Dia Internacional Para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres. No Brasil, 40% das mulheres vítimas de agressões físicas e verbais são evangélicas. Este número expressivo de mulheres cristãs vitimadas pela violência não é por acaso. Os templos contribuem bastante para este quadro com a lógica da submissão feminina e a culpabilização da mulher pela relação que não vai bem. Afinal, “a mulher sábia edifica sua casa” (Provérbios 12). É o que diz o texto bíblico, lido sempre de forma acrítica e descontextualizado. Se o marido bate ou trai, ela provavelmente ouvirá do seu pastor que a culpa foi dela, que ela não é uma mulher sábia, ora pouco ou alguma outra bobagem que será dita para mantê-la sem reação nessa relação abusiva e violenta.

Eu não quero passar essa data sem dar alguns conselhos pastorais para as mulheres cristãs que possam estar lendo este artigo:

1. Jesus não pede em nenhuma hipótese que você se sujeite a uma relação violenta e abusiva, mesmo que seja em um casamento. No momento em que o sujeito te agrediu, ele quebrou a parte dele do contrato de amar e respeitar (lembra deste trecho na cerimônia do casamento?!). Você está livre para seguir sua vida sem medo de condenação divina.

2. Se seu pastor encobre essa violência doméstica, culpabiliza você por apanhar e coisas desse gênero, eu lhe encorajado a denunciar, não somente seu companheiro pelas agressões, mas também o pastor como cúmplice delas. Essas pessoas precisam responder por este quadro caótico que criam para as mulheres na Igreja. Outras passarão por isso se nada for feito.

3. Se você não é casada, mas namora com alguém que é violento, você não tem motivos para manter essa relação. Você não é responsável por ajudar essa pessoa a mudar. Você não está abandonando a pessoa prometida por Deus. Se vocês fizeram sexo antes do casamento, um preceito ainda muito valorizado em algumas vertentes cristãs, você não deve se sentir culpada e se meter num problema ainda pior como um casamento com esse agressor. Você começou a namorar essa pessoa para saber se ela era a pessoa de Deus para a sua vida, certo?! Pois a resposta já foi dada. Não é. Quem te ama não te agride.

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Imagem: Desmotivaciones

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