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O paraíso perdido!

ASFIXIA DE UM POVO

ÁCIDAS E PIANCÓLICAS

ÁCIDAS E PIANCÓLICASMarcelo Piancó é um humorista paraibano de expressão nacional. Qualquer coincidência com pessoas ou fatos reais terá sido mera semelhança.

06/12/2019 14h38Atualizado há 1 mês
Por: Agassiz Almeida Filho

POR MARCELO PIANCÓ

O país está asfixiado, tem um coturno atravessado na garganta da viela que serve de esôfago para a favela. Mas a polícia só revidou. Na verdade, foi a juventude negra que começou tudo. Eles que desferiram o primeiro pancadão, foram as minas popuzudas que desceram até o chão e o olhar do cidadão de bem acompanhou para ver até onde chegaria aquela falta de pudor tão delícia.

Então gritaram aos sete mil alto falantes neopentecostais: acabem com esta pouca vergonha! Porém, o que se ouviu foi um proibidão que rimava a alegria pouca com a vergonha louca. O funk caiu no pecado de desgarrar ovelhas e diminuir o pasto do pastor. Porque o morro não tem vez, mas tem voz pra afrontar esse novo estado velho, a começar pelo seu relevo. Lá a terra não é plana e a cidadania nunca foi plena.

O Estado deu o recado. Pobres, não se juntem, não se unam pra festejar porque o sorriso de vocês contrasta com a pele e ofusca a verdade que vos libertará à força da escravidão que nunca houve. E segue o baile, as popuzadas agora enfrentam as preparadas, que são as que vestem fardas e iniciam o show das poderosas. É tiro, porrada e bomba e, por fim, essa juventude desgarrada terá seu encontro com Deus, promovido pelo Estado laico. Afinal, para quem promove a nova lei, todo Paraisópolis precisa de um pouco de inferno.

Pintura: Jackson Pollock

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