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Ode aos que lutam contra as tiranias

NÃO DESISTIREI!

COLUNISTA CONVIDADO

COLUNISTA CONVIDADOEspaço para intelectuais que contribuem para o fortalecimento do humanismo no Brasil e no mundo.

16/07/2020 15h49Atualizado há 3 meses
Por: Agassiz Almeida Filho

POR AGASSIZ ALMEIDA

 

Foi constituinte em 88 e um dos principais artífices do fortalecimento do Ministério Público na Constituição. Recebeu a máxima comenda da Associação Nacional do Ministério Público pelos relevantes serviços prestados ao MP. É escritor e ativista dos direitos humanos.

 

Quando as botas dos tiranos esmagarem as liberdades.

Quando cessar o último grito de indignação.

Quando não se ouvir mais o eco de uma palavra livre.

Quando o verdugo do cárcere negar olhar o amanhecer.

Quando só se ouvir apenas o toque de cornetas.

Quando a noite se eternizar na mente dos condenados.

Não desistirei!

 

Quando o tiranete rir do olhar materno.

Quando todos os caminhos levarem ao imponderável.

Quando arrancarem das mentes a razão do existir.

Quando se fizer da tortura a glorificação.

Quando subtraírem das consciências a capacidade de discernir.

Quando o poder da mediocridade sobrepujar a inteligência.

Não desistirei!

 

Quando o ódio fanático vencer a razão.

Quando o tiranete esfarrapar a liberdade.

Quando os sabugos morais se agruparem em hordas milicianas.

Quando as baionetas determinarem a lei.

Quando os gritos do torturado se perderem na noite dos tempos.

Quando cessar a inteligência e a estupidez se agigantar.

Não desistirei!

 

Quando a farsa vencer a justiça.

Quando se idolatrar a mediocridade e se negar o pensar.

Quando tudo parecer perdido.

Quando o oceano se fizer túmulo dos desaparecidos pelas tiranias.

Quando o verdor da floresta se tingir do sangue dos desaparecidos pelas ditaduras, e se ouvir o último soluço de uma mãe.

Quando a tirania tombar e a História abraçar os heróis.

Não desistirei!

 

Post scriptum. Com esta ode patenteio homenagear todos aqueles que, no ontem e no hoje da história, resistiram ao furor dos tiranos e dos seus sequazes.

Nesta hora em que a mediocridade agressiva comanda o país, dedico este hino a todos os resistentes nestes tempos contemporâneos, e, entre eles, lá estão Edval Cajá e Fernando Santa Cruz, in memoriam.

Sem os tantos bravos que engrandecem o panteão da história, a humanidade seria um rebanho debaixo do chicote dos tiranos. Só certos tipos com alma de escravo negam a liberdade.

Imagem: Eugène Delacroix 

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