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CRISE PERMANENTE

COLUNISTA CONVIDADO

COLUNISTA CONVIDADOEspaço para intelectuais que contribuem para o fortalecimento do humanismo no Brasil e no mundo.

23/07/2020 14h11
Por: Agassiz Almeida Filho

POR SEBASTIÃO COSTA

Médico

Um golpe cheio de competência e criatividade, produzido em dois tempos, derrubada da presidente Dilma e a prisão de Lula, e em três estilos, parlamentar, judiciário e midiático. Porteiras escancaradas e a boiada conduzindo a extrema direita ao curral do poder.

Difícil encontrar no retrovisor político do país tantas turbulências, conflitos, contrapontos. Deva-se essa conjuntura às truculências cheirando a fascismo do governo de plantão, sem humores para conviver em harmonia com as regras da democracia. E mais, com a determinação de enfiar pela goela abaixo da sociedade brasileira uma agenda econômica insensível às desigualdades pornográficas no campo social.

Em meio a uma floresta de polêmicas, extrai-se da agenda política três veredas por onde o país pode seguir: a interrupção do mandato do presidente, compactuada por parcela importante da sociedade; o autogolpe, com precedentes no Estado Novo getulista; e a continuidade da normalidade democrática, apoiada pela consciência cidadã de muitos brasileiros.

No tombo bolsonarista, duas trilhas a seguir, a depender da localização da queda. Se no Congresso Nacional, o país segue amarrado ao tronco do militarismo de Mourão; no TSE, o imenso alívio de se desvencilhar dos riscos de um regime autocrático.

O necrofilismo do presidente, estimulando o vírus a superlotar necrotérios, e as traquinagens familiares exacerbadas na figura de Queiroz, andam atrofiando a musculatura do autogolpe, que, em tempos recentes, a empolgação do filho 02 profetizou como uma "questão de tempo".

Na continuidade do extremismo bolsonarista até 2022, vai-se precisar de muito oxigênio para os brasileiros seguirem respirando as maluquices autoritárias que infestaram o país, desde aquele janeiro de 2019.

Já a queda do capitão, frise-se, está ligada à ruptura do fisiologismo genético do centrão e conectada com uma agenda que passa fundamentalmente pela força combativa dos segmentos progressistas e suas potencialidades de se fazer ouvir nas ruas. Potencialidades, admita-se, andam meio vacilantes, anestesiadas pela agressividade da pandemia e adormecidas pelo micróbio da letargia, que invadiu a militância, guerreira de outros tempos.

De olho nessa realidade, as profecias apontam para uma agenda cheia de conflitos de poderes, truculências presidenciais, turbulências sociais e com a espada  da justiça ainda lambuzada de golpe, ameaçando a participação de Lula na eleição presidencial de 2022.

Foto: Arquivo

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