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O lavajatismo ataca novamente

A REPÚBLICA DE CURITIBA TENTA EXPANDIR SUAS FRONTEIRAS E FRACASSA

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07/11/2020 13h23Atualizado há 3 semanas
Por: Agassiz Almeida Filho

 

POR SEBASTIÃO COSTA

Médico

"Na primeira noite, eles se aproximam e roubam uma flor de nosso jardim. E não dizemos nada... Até que, um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada!"

Desta vez, suas garras afiadas querem arrancar a liberdade democrática de um cidadão expressar suas ideias e seus pensamentos. Estamos falando do professor e advogado, Agassiz, filho daquele guerreiro, Agassiz Almeida, preso e torturado pelo regime que certamente inspirou os ideólogos do lavajatismo.

Inaugurado lá pelos idos de 2014, o lavajatismo se instalou na República de Curitiba com a força de um tsunami, empurrado pelo 'motor midiático' do sistema Globo.

Tinha objetivos claros: remodelar as correlações políticas do país com ações que iriam tatuar na face da justiça brasileira a imagem gosmenta do golpismo.

O ex-presidente, imbatível, não podia mais ser presidente. É que as pedras no caminho do golpe, inaugurado lá pelo Congresso, tinham que ser removidas.

Fale-se do 'presidente' daquela República, Deltan Dallagnol, atirando o ex-presidente à arena dos leões no famoso powerpoint, para respaldar denúncia antecipada feita ao 'primeiro ministro', Sérgio Moro, sem dispor de uma única prova.

E o julgamento do procurador por ter praticado essa violência foi adiado incríveis 42 vezes, perdendo-se no vazio do prazo prescricional.

Registre-se, ainda, a invasão da residência do ex-presidente por 200 agentes da PF, autorizada pelo mesmo 'primeiro ministro', a revirar guarda-roupas e colchões em busca do nada, sob os holofotes entusiasmados daquele 'motor midiático'.

O 'primeiro ministro', relembre-se, foi ser ministro do adversário político do ex-presidente. Surreal!!!

Naquela República de Curitiba, descobriu-se depois, havia normas e leis exclusivas. Lá naquele império, acusador e julgador jogavam no mesmo time; as mesmas afinidades, os mesmos objetivos.

Sob o guarda-chuva da imprensa conservadora, atropelavam-se as lógicas judiciais e o telefonema do magistrado de férias tinha mais força do que a liminar do desembargador de plantão.

Mencione-se, também, o veredicto da KPMG Auditores Independentes, contratada pelo 'primeiro ministro': "Não existem atos envolvendo o ex-presidente na gestão da Petrobras que possam ser qualificados representativos de corrupção ou de configurar ato ilícito." Um detalhe insignificante dentro da 'lógica' lavajatista!

Com o auxílio luxuoso de todas essas ilegalidades, o golpe foi finalmente complementado, extraindo-se do nosso convívio político o ex-presidente mais bem avaliado da história. Uma agressão ao Estado de Direito, que despertou a indignação e atiçou a revolta do professor e do advogado irrequieto, consciente de seus deveres de cidadão.

Na defesa intransigente dos preceitos constitucionais, Agassiz Filho incomodou durante muito tempo os entusiastas da República de Curitiba, com a solidez de argumentos alicerçados na larga experiência de professor universitário.

E os 'capitães-do-mato', espalhados pelo lavajatismo em todo o Brasil, querem, direta ou indiretamente, arrastá-lo ao pelourinho da censura com o claro objetivo de 'arrancar a voz de sua garganta'. 

Lá, na escuridão daquele regime de força, a tortura física sofrida pelo pai. Aqui, a violência de uma ação autoritária orquestrada por forças ocultas, em plena claridade do regime democrático.

Foto: Reprodução/ UOL

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