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COLUNA

Entreguismo - crime imprescritível

UNIÃO PARA SALVAR AS RIQUEZAS E A SOBERANIA DO BRASIL

J. TARCÍZIO FERNANDES

J. TARCÍZIO FERNANDESAdvogado e escritor.

31/01/2021 12h02Atualizado há 9 meses
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POR J. TARCÍZIO FERNANDES

Depois da data do nascimento de Cristo, menos importante do que a passagem de Papai Noel como expressão grandiosa do mercantilismo do capital, em ânsias de vender para mais lucro de poucos, uma verdade se impõe nos tempos que fluem.

Espírita convicto, patriota destemido, de peito aberto, Gondim da Fonseca escreveu “Que sabe você sobre o petróleo?”, obra de acendrado nacionalismo que trago comigo desde 1958; e, por vezes, releio o livro para retemperar as ideias nacionalistas.

Depois dessa obra, que todo brasileiro deveria ler, o pensamento do adolescente de 18 anos ganhou rumos diferentes, embebido de mais luz para conhecer o recesso das realidades de um mundo em plena guerra, de conflitos ideológicos e materiais.

Gondim da Fonseca me levou a um novo universo. Logo no prefácio do próprio punho do autor, uma homenagem: 

“Às Forças Armadas do Brasil, defensoras do Monopólio Estatal do Petróleo que, sem elas, não existiria; guardiãs do C.N.P e da Petrobrás contra as hordas de judas da ‘Imprensa Sádica’ do Rio e de São Paulo, dos políticos desbriados e dos tubarões internacionais.”

E descreve ele que enfrentou agressivos reacionários nas campanhas pelo interior do país em defesa do monopólio estatal da Petrobrás, ouvindo insultos, dentre eles – ah! Não mudam, sempre a mesma tecla – a acusação rouquenha de comunista vendido a Moscou, na época a capital-centro do mundo socialista, como é a Pequim dos dias atuais.

Ele retrucava nunca ter sido comunista. E fazia questão de acentuar que, se os comunistas apoiavam sua luta, isso não o induzia a repudiá-los, antes, a lhes agradecer a adesão que merecia apenas louvores.

Querer a Petrobrás, hoje, sem corrupção é imperativo próprio da consciência ética, tanto quanto imperativo da consciência liberta de subserviência é a sua defesa contra o “entreguismo” audacioso para fazê-la refém da exploração do capital internacional, conhecido no terreno da pilhagem, que realiza, das riquezas do Brasil e de outros países.

Os atos de entrega generosa do patrimônio nacional a estrangeiros pretendem consumar-se em ritmo acelerado, como estratégia bem concebida para não dar tempo a reações organizadas da repulsa dos patriotas a esses autênticos crimes de lesa-pátria de um governo que - justiça se lhe faça - a ninguém enganou!

Sempre exibiu com clareza sua marca ideológica. Jamais sequer fingiu que, chegando ao Poder, não faria o desmonte neoliberal do Estado, passando às mãos da cobiça privada as portentosas empresas nacionais, por submissão aos interesses de potências estrangeiras, cujos objetivos bem conhecem os povos explorados do mundo.

A obra de Gondim da Fonseca faz ecoar o patriotismo do marechal Dutra, anticomunista visceral. Instado a falar ao Globo (maio de1952) sobre pedido de concessão da Standard Oil para industrializar nosso petróleo, sem titubeio, então ministro da Pasta da Guerra, declarou-se contrário ao pedido, em reunião do ministério convocada pelo presidente Vargas:

Dutra: “Argumentei (...) com razões de ordem da defesa nacional. E o pedido não passou.” 

E, hoje, por que desaparecem para alguns essas mesmas “razões de ordem da defesa nacional”? O marechal Mascarenhas de Morais, visceral anticomunista, declarou no mesmo ano: 

Mascarenhas: “Venho como representante das Forças Armadas trazer o seu inteiro apoio a esta grande empresa.”

Nisso, nenhum antagonismo. São univitelinos os sentimentos nacionalistas da luta do povo contra a volúpia dos países imperialistas para domínio do imenso patrimônio e de pontos estratégicos do território nacional, em proveito do progresso e da segurança nacional de seus países e em prejuízo do desenvolvimento e da segurança do Brasil.

Unamo-nos todos para salvar as riquezas e a soberania do Brasil dos “políticos desbriados e dos tubarões internacionais”, na arremetida de Gondim da Fonseca, se não mais em proveito das gerações mais velhas, das gerações que a elas sucederem.

E que as Forças Armadas continuem ao lado das posições entranhadamente patrióticas dos valorosos militares do passado, firmemente contrárias à entrega do patrimônio nacional a forças de grupos antinacionais. 

E se unam. Não, contra ninguém; não, contra qualquer país, senão pelo bem e para o bem do povo, cansado de ser manipulado e explorado por governos sucessivos. É o sentimento comum da grande maioria dos brasileiros em torno deste debate de caráter nacionalista tão febril e sempre atual.

Foto: Arquivo 

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